Existe muitas formas de controlar e combater as pragas e
doenças, naturais ou industrializadas.
Fazer o controle adequado de luz, umidade e adubação
correta do substrato favorecem o não aparecimento de doenças e pragas. A
disposição dos vasos com distância mínima de 20 cm também é recomendado, para
que parasitas não migrem de uma planta para outra. Em casos de plantas onde a doença já se alastrou por toda planta, aconselha-se isolar a planta em um local distante das outras .
A esterilização do material de poda, por exemplo, as tesouras e o próprio manuseio de
plantas doentes deve ser feito com atenção, para que não se passe doenças para
plantas sadias logo depois.
Mudas, que são mais sensíveis às doenças, devem
ficar separadas de plantas adultas.
Em geral, muita umidade pode trazer problemas
crônicos para as raízes, causando seu apodrecimento. A maioria das espécies de orquídeas são molhadas no máximo uma vez por semana. O acúmulo de água é também
causa da perda e amarelamento das folhas, deixando-as com uma coloração
verde-garrafa. É também excesso de umidade que atrai fungos que podem matar uma
planta adulta num curto espaço de tempo.
As pragas são comuns em orquídeas, como os
pulgões. Uma planta sob ataque de um pulgão comum, da família dos afídeos
(Aphidae), que adora sugar seiva de hastes novas (hastes de Oncidium são um
alvo comum), e de botões florais, o que pode acabar com uma bela floração em
poucos dias.
Além
de prejudicar as flores, os pulgões podem transmitir alguns tipos de vírus, entre eles o OFV (Orchid Fleck Virus). Outras pragas como lesmas, caracóis,
nematóides e conchonilas variadas, que comem as raízes ou atacam as folhas e
flores. As folhas ficam com buracos e ou rasgos.
No
caso de lesmas e caracóis, recomenda-se a retirada manual através de armadilhas
de miolo de pão embebido em cerveja ou mesmo cortes pequenos de chuchu. Existe também em lojas especializadas em remédios contra doenças, pragas e outras, remédios e armadilhas contra lesmas. Para retirada
completa dos ovos (que medem de 1 a 3 mm) e o restante dos caracóis, deve-se
afundar o vaso da planta por uma ou duas horas no máximo em água e repetir este processo por mais uma vez na próxima semana.
Ao adquirir uma planta, procure sempre conhecer sua procedência, para não levar
para casa uma espécie contaminada por vírus, nematóides, caracóis e fungos, por
exemplo.
Se
o problema dos pulgões e conchonilhas persistir, tente o uso do fumo de rolo.
Anote a receita e aplique: Ferva 100g de fumo de rolo picado em 1,5 litro de água. Acrescente uma colher
de chá de sabão de coco em pó. Espere esfriar e borrife sobre as plantas
infectadas. É importante ferver o fumo, pois pode ser portador de vírus.
PRAGAS E DOENÇAS 2
PERCEVEJO
Tenthecoris orchidearum: Considerado o percevejo mais importante das orquídeas é comum de ser observado (tanto os danos como os insetos) em plantas coletadas. Em orquidários é encontrado em grandes concentrações em locais delimitados. Os adultos medem cerca de 5,0 mm de comprimento, têm coloração geral alaranjada e as asas anteriores azuis escuras, com bordos externos alaranjados. Os ovos são colocados no interior dos bulbos e folhas das plantas. Tanto as ninfas como os adultos sugam a seiva das plantas levando ao aparecimento, nos locais da picada, de pequenas manchas arredondadas (em grande número), de cor amarelada, em contraste com o fundo verde das folhas.
Controle: · Pulverização com fosforados, clorofosforados, carbamatos ou sulfurados. A adição de sal de cozinha (0,5%) permite a redução da dose do produto em até 50%.
BESOUROS
Vários besouros são relatadas causando danos em orquídeas, segue os dois mais comumente encontrados: Diorymerellus lepagei. É geralmente considerado o besouro mais importante em orquídeas. Têm cerca de 3,0 mm de comprimento e apresenta coloração preta-brilhante, corpo ovalado, convexo, largo, cabeça prolongada em rostro curvo e antenas escuras. A fêmea adulta perfura o ovário da flor ou as espatas ainda fechadas para ovipositar e as larvas roem os botões florais, o interior dos ovários e as flores. O ataque às espatas leva à destruição de toda a flor . Diabrotica speciosa. Também denominada de patriota ou brasileirinho, caracteriza-se por possuir em cada élitro seis manchas amarelas. Tem coloração geral verde e 4,5 a 5,0 mm de comprimento. Os danos provocados por D. speciosa podem se restringir a simples raspaduras ou podem destruir áreas do tecido floral de que se alimentam.
Controle geral de besouros: · Eliminação manual de adultos e eliminação de partes infestadas; · Químico- piretróides ou fosforados
VESPINHAS E ABELHAS SEM FERRÃO (cuidado em especial com as vespas elas podem ferir uma pessoa)
Eurytoma orchidearum. Uma das pragas mais danosas às orquídeas e também conhecida como vespa das orquídeas ou Lisosoma. Os adultos apresentam o corpo negro, com asas claras e transparentes; as fêmeas medem cerca de 4,0 mm de comprimento, sendo os machos um pouco menores. As larvas são ápodas e possuem coloração geral branca e corpo recurvado; quando totalmente desenvolvidas, medem de 3,5 a 4,0 mm de comprimento. Após completar o desenvolvimento, com duração variável de 50 a 60 dias, o inseto perfura a planta, deixando um orifício de saída que se constitui num sintoma característico do seu ataque. Os danos são causados pelas larvas no interior dos pseudobulbos e brotações, cujos tecidos são destruídos, o que leva ao intumescimento dessas estruturas. Nas plantas atacadas, normalmente ocorre atraso do desenvolvimento, podendo culminar com a morte da planta. A infestação dessa praga é mais comum no inverno. Calorileya nigra. É uma vespinha que na fase adulta apresenta coloração geral escura, com cerca de 2,5 mm de comprimento. As larvas são esbranquiçadas, ápodas e recurvadas, medindo de 2,0 a 2,5 mm de comprimento, quando completamente desenvolvidas. Atacam as raízes, provocando a formação de galhas na região apical. O ciclo evolutivo completa-se em 50 a 60 dias e o adulto sai da raiz através de um orifício na galha. Trigona spinipes. Chamada de irapuá ou abelha-cachorro apresenta coloração preta-brilhante, com 5,5 a 6,5 mm de comprimento por 2,5 mm de largura e asas escura. O dano é causado pelos adultos que roem botões florais e flores causando lesões. Nesses locais, há o desenvolvimento de fungos que provocam manchas das flores, depreciando o seu valor comercial.
Controle de vespas e abelhas: · Poda e eliminação (queima) de regiões atacadas; · Colocação de superfícies plásticas ou de papelão (retângulos de 5 x 10 cm) no orquidário, contendo inseticidas fosforados, solução açucarada e cola ("sticky") para atração e captura de vespinhas; · Os adultos podem ser controlados com a pulverização de fosforados, clorofosforados ou piretróides; · No caso da abelha irapuá, eliminar os ninhos em árvores.
TRIPES
Os tripes são insetos pequenos, alongados e com asas franjadas que perfuram as células do tecido vegetal sugando o líquido extravasado. Os adultos e ninfas se alimentam dos tecidos florais e provocam a formação de manhas necróticas que depreciam o valor comercial da planta. Os insetos podem ainda se alimentar de folhas não expandidadas provocando lesões simétricas em forma de V, de coloração pardo-avermelhada. Espécies comumente encontradas: Aurantothrips orchidearum; Taeniothrips xanthius; Selenothrips rubrocinctus; Frankliniella sp. e Gynaikothrips ficorum.
Vários ácaros são relatados atacando orquídeas porém, o de maior freqüência é o Tetranychus urticae conhecido também como ácaro rajado ou ainda ácaro de teia. Mede 0,5 mm de comprimento e freqüentemente as fêmeas apresentam dois pares de manchas escuras no dorso. Formam colônias compactas na página inferior das folhas e recobertas com grande quantidade de teias. Preferem tempo quente e seco e ocasionam clorose e/ou prateamento foliar sendo que altas infestações podem ocasionar morte da planta. O controle de ácaros em geral, se dá pela utilização de acaricidas ou piretróides.
TATUZINHOS (Ao encostar neles viram bolinhas)
Oniscus sp. e Armadillidium vulgare (Latreille). Medem de 10,0 a 15,0 mm de comprimento, têm o corpo convexo com coloração cinza-escura e com sete pares de pernas. Vivem em lugares úmidos. Roem raízes e brotos de orquídeas.
Controle: · Iscas à base de açúcar mascavo ou melaço (100 g), farelo de trigo (1000 g), inseticida fosforado (100 g) e água (1/2 litro).
LESMAS E CARACÓIS
Vaginula sp. e Veronicella sp. São lesmas que possuem hábito noturno, abrigando-se durante o dia em lugares escuros e úmidos, onde depositam massas de ovos translúcidos, cuja coloração varia do creme ao amarelo-brilhante. Bradybaena similaris. Um dos caracóis mais encontrados em orquídeas, caracteriza-se pela presença de uma concha calcárea de 10,0 a 15,0 mm de diâmetro, de coloração pardo-clara ou amarelada. Quando importunados, os caramujos recolhem o corpo dentro da concha, permanecendo imóveis. As lesmas e caracóis são prejudiciais principalmente às orquídeas quando atacam plântulas. Podem causar grandes estragos destruindo brotos novos, botões e flores, além de raízes.
Controle: · Armadilhas com cerveja ou farelo de trigo ou ração como atraentes; · O controle químico pode ser feito com iscas à base de metaldeído (5% de metaldeído, 85% de farelo de trigo e 10% de melaço com açúcar mascavo); · Iscas comerciais disponíveis no mercado.
Podridão Negra - Pythium ultimum e Phytophthora cactorum.
Um dos mais sérios problemas da orquidicultura, é causado por este complexo de Oomicetos que possuem hifas cenocíticas bem desenvolvidas e de coloração branca. São altamente agressivos durante os períodos de alta umidade, com temperatura de 10 oC a 22 oC (P. ultimum) ou 10 oC a 20 oC (P. cactorum). A unidade de dispersão e infecção constitui-se de zoósporos biflagelados disseminados quase que exclusivamente por água livre. Possui como forma de resistência, a condições adversas, estrutura denominada oósporos, com prolongada viabilidade. A introdução dos patógenos na cultura pode de dar, principalmente, por meio da água de irrigação e/ou chuva, substratos e vasos contaminados. Sintomas: Quando o ataque desses patógenos ocorre em sementeiras e plântulas, observam-se sintomas típicos de tombamento ou "damping-off". Em plantas adultas a infecção produz manchas encharcadas tipicamente negras que progridem de forma ascendente na planta, ou seja, da raiz para as folhas. Com a evolução da doença os órgãos atacados apresentam podridão mole, e se destacam, sendo, em casos extremos, observada a morte das plantas. Sintomas são observados em raiz, haste, pseudobulbos ou folhas, sendo a penetração do fungo preferencialmente pela raiz e/ou colo da planta. Colocando-se pedaços de folhas sadias de orquídeas em recipientes com água juntamente com regiões de plantas atacadas por P. cactorum e/ou P. ultimum é uma metodologia oportuna para diagnose destes fungos, pois após 2 a 3 dias observa-se, com o auxílio de microscópio ótico, a formação de estruturas de frutificação (esporângios) e esporos (zoósporos) na periferia das folhas inicialmente sadias. Tal método é designado de método de iscas.